Ibovespa pode bater 72 mil pontos em 2013

Por Aline Cury Zampieri e Téo Takar | De São Paulo| Valor Econômico

 José Cataldo, estrategista da Ágora e da Bradesco, prevê alta da bolsa em 2013

A Bradesco Corretora acredita que o Ibovespa alcançará os 72 mil pontos no fim do ano quem vem, o que representa um potencial de alta de 23,5% em relação aos níveis atuais. Em relatório assinado pelo estrategista José Cataldo, a casa diz que a estimativa tem como base uma meta de relação preço/lucro (P/L) de 12,8 vezes para 2013, número que corresponde à média do P/L da bolsa brasileira desde 2005.

A corretora espera um “crescimento significativo” nos lucros das empresas brasileiras em 2013, depois de um ano considerado difícil. Levando em conta o lucro por ação, os especialistas da casa estimam expansão de 33,7% entre este ano e 2013, impulsionada, sobretudo, pelo setor imobiliário e por empresas de commodities industriais. Na comparação entre 2012 e o ano passado, a expectativa é de queda de 11,4%, basicamente em razão das perdas financeiras relacionadas à depreciação do real.

No trabalho, a Bradesco vê um cenário ainda com riscos importantes para o mercado de ações no ano que vem, provenientes da China e da Europa. No entanto, acredita na diminuição dos riscos extremos, como o calote de países da periferia da Europa, ao considerar a visão de que o Banco Central Europeu (BCE) agirá para impedi-los.

Neste cenário, a dinâmica da economia brasileira acabará desempenhando um papel muito mais importante, conduzindo a uma recuperação de lucros e até mesmo ajudando a dissipar os temores de mudanças de regras em importantes setores econômicos nos últimos meses de 2012.

A Bradesco Corretora lembra que o mercado brasileiro está passando por um ano difícil, com alta volatilidade e retorno acumulado no ano de apenas 0,6% até outubro, em reais, e de -7,1% em dólares. “Por outro lado, analisando o desempenho das 150 ações mais líquidas no Brasil, encontramos alguns números animadores: enquanto 48 ações mostram desempenho inferior ao do Ibovespa, 102 superam o índice, sendo que 74 tiveram valorização 20% acima do Ibovespa, no acumulado do ano.”

Entre os segmentos perdedores estão construção civil, concessionárias de energia elétrica, petróleo, siderurgia, mineração, telecomunicações e bancos. As vencedoras são ações de varejo, bens de consumo e outros setores impulsionados pela economia local.

Na quinta-feira (1), o Ibovespa fechou em forte alta de 2,3%, na máxima do dia, aos 58.382 pontos, com volume de R$ 6,443 bilhões. “A Bovespa foi beneficiada por um conjunto de dados positivos nos Estados Unidos. O ADP [indicador de geração de empregos do setor privado] veio melhor que o esperado, assim como o ISM [dado de atividade industrial]“, afirmou o estrategista da Futura Corretora, Luis Gustavo Pereira. Os bancos figuraram entre as maiores altas: Banco do Brasil ON (6,55%), Itaú Unibanco PN (4,44%), Santander Unit (4,08%) e Bradesco PN (3,68%).

Na sexta, quando o mercado ficou fechado no Brasil por causa do feriado, as bolsas europeias subiram animadas pelos dados do mercado de trabalho americano, que mostrou a geração de 171 mil vagas em outubro, acima dos 125 mil projetados. O índice Stoxx 600 marcou alta de 0,4%, para 274,85 pontos. Mas Wall Street seguiu outro caminho e devolveu os ganhos do dia anterior, com investidores preocupados com as eleições, nesta terça-feira (6). O índice Dow Jones perdeu 1,05%, para 13.093 pontos, o Nasdaq caiu 1,26%, para 2.982 pontos, e o S&P 500 recuou 0,94%, aos 1.414 pontos.

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